Naufrágio

 

Eu (me) afundei.  Afundei num amor que já não era propício, poluído por angústia, ódio e ego. Afundei por teimosia, afinal o terreno estava cercado de placas que avisavam sobre o perigo, mas eu teimei, entrei e afundei. E você me puniu, pois não queria ser explorado.
Esse mar, no qual alguém despejou decepção e cujo filtro não conseguiu conter a força do que acabara de transbordar e reagir, teve sua essência destruída.
Diante do nível de tolerância que você apresentava, foi difícil permanecer envolta desse lamaceiro… Mas resisti. Talvez essa tenha sido uma decisão um tanto imatura, meu bem, não sei.  O que sei é que tua essência tornou-se tão densa e grotesca, que a profundidade já não era mais desejável, sequer a superfície, pelo contrário: passei a temê-la.
Mas você não se importa, não é? Você não quer ser explorado, e quem o faz é asfixiado pela camada de mentiras, ora puxado para baixo para um teste de fôlego, ora elevado à camuflada superfície.
Afundei-me, Amor, no seu amor. Por necessidade de transbordar, minha alma naufragou em seu oceano de ilusões, e cá estou eu cravada no fundo, com a essência e o corpo deteriorado por essa entrega.

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4 comentários Adicione o seu

  1. Adele Santos disse:

    Que profundo! Com certeza, uma amostra clara do talento, beleza e potencial de uma grande alma…

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  2. Vinicius disse:

    Luana é fo**, muito respeito e admiração.

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    1. Luana Reis disse:

      Só tenho a agradecer! 😀

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