Não precisa ficar, meu bem

Depois da troca, do atrito, do corte, do coito… Pode ir, meu bem. Vai, que não é a primeira nem a última vez. Vai, que não vale a pena esse teatro, essa farsa, essa sua curiosidade forjada: o desejo já foi saciado, vai-te embora.

Que depois que acalenta-se no outro, que nutre-se a ânsia, já não há razão para perdurar o que não era, não é e jamais será: pra sempre tua. Vai, que comigo só há de permanecer a vontade da segunda dose, do preenchimento duma troca quase perfeita.

Vai, afinal, que se a gente repetisse a dose o encanto seria quebrado. Sim, que para mim seria mágico, mas talvez aí você reparasse em meus defeitos, no que excedo e no que deixo faltar. No que agrado e no que ainda tenho que melhorar.

Vai, que o corpo é doce por inteiro, mas enjoa, enoja, vicia e perde a graça. Vai, é hora da troca, do atrito, do corte, do coito. Não precisa ficar, meu bem. Eu sei, já é hora de saciar outro alguém.

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