Desabafo: a beleza nem sempre trabalha em prol do agrado

Tenho recebido algumas críticas desde que criei este blog. Digamos que eu tenha deturpado o significado da descrição que aqui consta: “o melhor de mim”. Para muitos não há coerência no que propus nessa descrição com o que realmente posto, desenho e demonstro.

Claro, respeito as opiniões, mas vale lembrar que não me adapto a elas se não pelo quesito de acuidade – quando as publicações forem factuais, o que ainda não ocorreu, pois o blog está mais para um diário e/ou interpretação/representação pessoal do mundo compartilhada em rede.

Como estava dizendo, não me pauto pela reação do outro quando aqui escrevo, já que o momento em que relato é a verdade em si, é o “real”. Se eu me pautasse pela reação do leitor, minha verdade, a verdade da minha escrita definharia e por fim, eu não me expressaria, já que para mim, seria mais que a corrupção do signo, do efeito simbólico que as palavras carregam, mas da alma e por fim, do meu eu.

Que o problema consiste na verdade, no conceito do que é belo e no que atrelamos a ele. A beleza nem sempre trabalha em prol do agrado, meus caros. Mas para entender isso, temos que nos confrontar e responder: afinal, o que é a beleza? No que consiste?

R: beleza é desenvoltura, é assumir-se, a beleza é per si bela. De acordo com o dicionário Hoauiss, beleza é “qualidade do que é belo ou bom”. E o que é bom? Bom é crescer, é desenvolver-se, evoluir, oscilar, ter algum movimento. E para movimentar-se de verdade, é preciso desenvolver o intelecto, aprender a desaprender diariamente, sobretudo desapegar-se dos preceitos e pré-conceitos adquiridos.

É basicamente por conta disso, caros e caras, que todos os textos que tenho postado, que todas as fotografias que tenho tirado e até mesmo os desenhos – raros – que tenho divulgado não são tão “doces”, ao menos no primeiro contato.

E algo de fato foi deturpado: o conceito de agrado. Agradar, além de ser uma das regras da comunicação, visto que é pautada na honestidade do discurso, é contentar/satisfazer. E eis a dúvida: como é possível satisfazer? Ambos os conceitos caíram no senso comum, mas satisfazer é suprir as necessidades, e isso também se dá por uma boa narrativa, pela enxurrada de sentimentos e sobretudo questionamentos que ela pode propiciar.

Que para mim, narrativa boa – e entenda narrativa pelo âmbito multimídia que a internet propiciou – é aquela que nos faz debruçar em livros, rachar a cuca, viajar e perder-se em meio aos pensamentos, às referências abordadas e só notadas por quem permite que o assunto jorre e transborde no cérebro. Que o bom e belo é pensar, e que apenas neste parâmetro a beleza e a satisfação são relativas.

Com isso, espero que seja possível lincar as hastes de cada quebra-cabeça que lanço nesse diário-blog-fragmento-espaço-recinto-painel-de-exploração.

Bem-vindos e boa leitura – ou dúvida, haha – a todos!

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