Respeite a minha escolha

Você me perguntou o que eu queria, eu te respondi e agora, no mínimo, respeite o que almejo.

Fui questionada diversas vezes por colegas, amigos e familiares sobre os meus sonhos e sempre que respondi obtive de cara a desaprovação ou mesmo questionamentos fúteis: “ah, mas você não quer casar?”, “não quer comprar um carro?”, “e os namoradinhos??? Nossa! Você não tem vida social”, entre outras babaquices.

O que me indigna é justamente a falta de respeito que esses questionamentos carregam. Sim, meus caros, é puro desrespeito – notem – achar-se o “condutor fodão” duma vida a ponto de desbancar os objetivos de outrem, de tachar sua existência, seus anseios inferiores ou mesmo desapropriados para a curta passagem que temos nesse mundão.

Quando alguém me questiona eu respondo, porque – creio eu – normalmente pergunta-se algo quando se está interessado em aprender, em entender, em simplesmente escutar. E não, não pedi a sua opinião, a da sua família, a dos meus pais, dos meus colegas e/ou “amigos”. Eu não pedi a opinião de ninguém para poder sonhar. Eu simplesmente sonhei com essa vida que levo – 80% dela, aliás ahahaha –, com a profissão que venho exercendo – no nível estagiária, claro –, com a vida social que eu tenho – ou que deixo de ter.

É patético quando algum amigo que não vejo há algum tempo entra em contato, tenta marcar algum encontro e os horários não batem, principalmente o meu (já que tenho que administrar minha vida entre faculdade + estágio + vida pessoal (meu tempo x tempo com a família) + freelas + cursos a parte + revisão das coisas da faculdade e dos cursos a parte), a pessoa surta ou mesmo indaga: “nossa, mas que droga, você só trabalha”, “putz, que vida triste”, “putz, ‘mó’ saco trabalhar”, blah, blah, blah.

Ok, não estou fazendo um discurso pró-capitalismo/pró-exploração do proletário, tá? Não é pra você colar um pôster da sua classe trabalhista ao lado da sua cama ou sair com bottons do tipo “não reclame, trabalhe!”, afinal não é isso que proponho aqui.

O que quero que entendam é que é patético acreditar que todos devem seguir o mesmo roteiro na vida: nascer, crescer, conhecer alguém e se amarrar a essa pessoa, casar, comprar um carro para dar um ‘rolê’ na quebrada, arranjar um emprego, odiar esse emprego, viver endividado e repetindo o mantra “está tudo perfeito” – quando na verdade está tudo muito, mas muito ruim mesmo –, envelhecer no mesmo lugar, reclamar de tudo e de todos sem fazer nada, mas garantir presença na rodada de cerveja do boteco da esquina aos finais de semana e morrer.

Eu não quero isso. Eu não vejo a necessidade de ter um carro, sendo que atualmente não tenho nem R$ 3,80 para recarregar o amiguinho bilhete único, ou mesmo arranjar “a metade da minha laranja”, sendo que esse papo de metade é furado e eu estou bem vivendo minha vida sem preocupações ou cobranças desnecessárias.

Também não tenho a intenção de criticar quem quer casar ou comprar uma caranga. Pelo contrário! A minha crítica/meu enjoo auditivo é com relação às pessoas que insistem nessa padronização existencial. Poxa, não somos iguais, nem por dentro nem por fora, apenas na espécie.

Então, ao invés de criticar a rotina alheia, os horários, os sonhos, sobretudo o status de alguém, procure olhar para si, para a própria vida e compreender se de fato está trilhando o caminho que sonhava quando criança ou se estão, por exemplo, exercendo uma profissão que, como diz um grande amigo meu, “faz a alma dançar”.

Eu vivo numa contradição imensa: enquanto tenho a vida profissional iluminada, minha vida pessoal virou um emaranhado que tive que aprender a manejar. E explico: esse emaranhado piora mais e mais quando tento me aproximar de alguns familiares, colegas e amigos que faltam com respeito diante da minha vida, de quem eu sou.

Pois como falei no início desse texto, eu não pedi a opinião de ninguém, eu simplesmente sonhei e teimei em me desdobrar ao meio para me formar em jornalismo, para aprender constantemente sobre tudo o que for possível, para algum dia poder viajar e conhecer pessoas e lugares e tornar a minha existência significativa – por meio do diálogo e a consequente ajuda ao próximo.

Para conquistar alguma coisa na vida a gente sempre terá de fazer alguns sacrifícios, mas nesse caso, se houvesse o mínimo de respeito, de empatia/compreensão eu não teria que me afastar de vez, eu não precisaria escrever essa Bíblia-digital-manual-de-bom-senso-para-com-o-próximo.

Por fim, desça do pedestal em que se colocou, ponha os pés no chão e encare-se diante do espelho. Vá, questione-se: você se tornou tudo o que queria? O que afinal você quer dessa vida? O que você quer PARA A SUA vida? O que é que torna a sua existência significativa?

E quando achares a resposta terá a solução para ao menos sete dos dez problemas mais gritantes que tem para resolver, pois para mudar o mundo à nossa volta é preciso, antes de tudo, fazer uma mudança pessoal e interna. Somente quando entendemos o outro obtemos a compreensão de nós mesmos.

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