Desamor dual

Seu toque era uma mescla de frio e calor,
Era a força e a fraqueza entrelaçadas
E a carcaça, que se esfregava em mim, há tempos tornara-se minha morada.

Era meu céu e o inferno quando lhe dava
Em mente elevar-se diante de mim.
E pra ele eu nada mais era que um corpo vazio, privado de sentimentos.

Mas eu sentia a pele, os pelos, a respiração.
Eu sentia o peito chiar quando saía pela manhã.
Eu sentia o corpo tremer quando se encaixava em mim.

E eu queria sua fúria, sua calmaria,
Queria a carne e a alma de vez,
Sem intervalo.

Desejava a brutalidade e a delicadeza,
O desleixo e o zelo,
A falta de escrúpulos e a empatia.

E quando chegava e puxava-me
Sentia o desejo afirmado contra minha pele.
A fome de prazer que jorrava em suas veias…
Era a hora da minha entrega.

E então, sua alma dual clamava
E eu cedia àquela encarnação das contradições.
Era você e eu… O tudo e o nada.
Só não era amor.

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