Um adeus às nossas inconveniências

Volkan Olmezvolkan-olmez-523Depois de três horas trancafiados em um quarto mal ventilado a gente se levanta, retrucando pelos cotovelos sobre defeitos escrachados que sempre estiveram presentes entre nós, mas que só agora resolvemos apontar.

Você ensaia um tapa em meu rosto, mas no percurso denuncia um resquício de consciência. E eu não me mexo. Com ou sem o tapa, espero para ver até onde tudo isso vai.

Eu aguardo o pior com a alma calejada, após quase três anos de idas e vindas, das agressões físicas, psicológicas e verbais. Após cada mutilação, humilhação, condenação. Mas talvez hoje, finalmente, eu não fique para o final da festa, baby.

Quem somos nós afinal? Como chegamos até aqui? Como nos tornamos um casal tão mesquinho?

Eu questiono, observo, eu fico e me importo. Você não. Você não responde, não retribui o olhar, não dá a mínima. Você já não está aqui comigo há meses.

E eu caminho pela casa procurando o isqueiro, saco dois cigarros no bolso de uma calça jogada no corredor, acendo-os e te fito. Contemplo o que somos, vejo o clima que se instaurou em nossa rotina, o vazio melancólico que a gente carrega e põe frente a frente todos os dias.

E isso tudo é para tentar entender, antes de partir, como aquele desejo infame que tínhamos um pelo outro se esvaiu. Regrediu a pó numa existência vulgar e inconveniente.

Mas é um caminho cansativo, baby. E esse rumo foi iniciado por você, quando decidiu sair para explorar outras histórias, outras curvas. Quando você não julgou o que tinha mãos suficiente.

E agora o que eu faço, amor? Eu levanto, junto as tralhas e sumo mundo a fora de vez?! Fico aqui, transo contigo de novo e acordamos pela manhã com mais fúria, mais raiva disso tudo, do que nos tornamos?!… Me dá uma direção, afinal. Eu clamo por uma resposta, mais uma vez.
Só que você não reage, não sabe se vai para a esquerda ou para a direita. Não sabe se vai ou se fica. Você simplesmente estagna, baby. Cai e me derruba junto. Me puxa para o olho do furacão, da desordem que se transformou.
Mas eu tenho que ir dessa vez, baby. Já não dá para prosseguir… nossa festa acabou.

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