Abdico

Matthew Henrymatthew-henry-284087Quando dei por mim você não estava lá,
Não espiritualmente,
Não por vontade própria.

Estava por obrigação, pena ou seja lá o que for.
E eu penei, mas entendi que jamais estivera entre as tuas prioridades,
Entre as escolhas.

Só que hoje, amor, eu tiro o meu time de campo,
Abro mão do teatro,
Do afago forçado na cama.

E podes então sair pela porta da frente,
Com o belo rosto erguido para a tua liberdade,
Para a vida boêmia que queres preservar.

Que eu vejo no fundo dos teus olhos
A agonia, o desespero… O medo bailando e consumindo a alma
Diante da possibilidade de uma junção de corpos que seja mais que casual,
Da proposta de um par na dança da vida.

E eu disse que te entendia, querido.
Mas na verdade isso jamais será possível,
Já que não me explicas o que ainda falta
Ou, quem sabe, o que transborda em mim a ponto de te afastar.

Vai-te embora, amor.
Que eu abdico da felicidade que é tê-lo comigo
E o prazer que é sentir teu corpo contra o meu.
Eu abdico da farsa, da falta de reciprocidade…
O último ato da trama acabou.

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