Alma despida

KEEM IBARRAkeem-ibarra-397429.jpgQue quando despires
Minha alma
Verás um interior
Repleto de cicatrizes.

Marcas que adquiri com o tempo,
Marcas que fizeram com uma faca,
Bem no meu peito.

Também verás a estaca que cravas
Diariamente,
Quando desprezas todo o meu esforço
Em te manter por perto.

E se tirares esta estaca,
Se as cicatrizes me fossem arrancadas,
O que restaria desta alma despida?

Se tirasses as cicatrizes externas
Já levaria consigo oito anos
De aprendizado.

E se as internas fossem apagadas,
Meu bem,
Toda a frieza que tive de desenvolver,
A desconfiança, a cautela, a falta de
Escrúpulos que regeu nossa traição à fulana…
Tudo isso sumiria.

E o que restaria desta mulher de 20 anos
Seria o zelo, a dedicação, o que tacham de respeito
Ao próximo – a não intromissão numa relação.

Restaria aquela garota meiga,
Iludida aos 15,
Que ansiava por uma vida compartilhada.
Por uma vida,
Por amor,
Por compreensão.

Mas o que aquela garota teve, baby,
Foi o lado B das moedas citadas.
O desamor, a impaciência,
Um quase abuso precoce,
As mentiras,
A exposição.
Humilhação.

E com o que lhe foi dado
A tal mulher se moldou.

A carcaça desfez-se da pureza,
Então, e passou a jogar com as ferramentas
Apresentadas de forma, talvez, despretensiosa.

Se vislumbrares o interior deste corpo curvado
Tu vais se deparar com o dejeto moral
Que me tornei, meu bem.

Mas tu tens de fazê-lo
E entender, enfim, o que sou,
O que fui e o que deixei de ser
Nesta vida.

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