Nada muda

unsplash-logoBekah Russombekah-russom-232003.jpgQue quando você acordar
Estará com um corpo desconhecido ao lado
Mas ela, as outras, seja quem for
Não vão suprir a lacuna.

Não vão, meu bem.
Vais tatear o corpo da estranha,
A mão percorrerá a cintura,
Acariciará a barriga,
Os seios… Tu vais excitá-la enquanto ela dorme.
Mas não, meu bem, ela não vai reagir como eu.

Você não a ouvirá dizer que queria tudo,
Exatamente tudo,
De você.

Você não sentirá o mesmo volume,
A mesma desenvoltura contida da carcaça.
Você não a verá passando a mão por tua barba,
Simulando um enforcamento durante o coito,
Como você definia.

Você não a verá acariciando cada parte tua,
Cuidando de ti, mesmo quando distante.
Você não a verá falando de futebol,
De política, de carros,
Da bebedeira que planejava para vocês dois.

Você não a verá passando vergonha,
Fazendo o papel de idiota
Propondo uma sessão de cinema – renegada –,
Ou mesmo uma simples conversa para espairecer – quando ela realmente precisa.
Você não verá, sentirá ou ouvirá mais nada.
Que você queria o mundo, todos os corpos,
Todas as curvas, todas as reações – ou as ‘não reações’.
Você queria.
Você terá.
Só acabou. Afinal, nada muda…

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