Parar para poder seguir

Às vezes eu preciso de espaço. Sim. Certa manhã acordarei, irei até a cozinha e farei meu café – é meu ritual diário, é o meu mimo pessoal. E lá olharei através do vitrô velho, vislumbrarei a avenida principal no alto, distante. Muito distante. E pensarei: estou sufocada.

Que para me aproximar eu preciso, antes de tudo, sumir, me afastar. Preciso respirar. Alçar um voo para um universo desconhecido. É metafísico. Ou quase. Eu tenho que rebobinar as cenas, reanalisar parte por parte. E daí zerar o sistema. É um caso um tanto complexo. Singular. Uma dívida pessoal.

Que se eu não abrir mão de todas as pendências, as lutas, as resoluções eu pifo. E pifo de forma drástica. Me quebro inteira por dentro e isso transborda, afetando quem estiver por perto.

Antes de chegar, de alçar qualquer coisa eu tenho que recuar todas as casas possíveis. Re-se-tar. Rei-ni-ciar. Mas quem me cerca não vai compreender. E nem tem.

Estarei ao lado de cada um que preservo nesta longa caminhada que é a vida. Ora fisicamente… Ora espiritualmente. E vez por outra pensarão que nem de uma forma nem de outra. Mas é o meu jeito.

E não, não hei de mudar. Não quero e nem deveria. Que, afinal, expliquei que é uma dívida pessoal. Não furo essa fila por ninguém: primeiro eu, depois a família e os demais mortais.

Pois no fim, ninguém toma minhas alegrias ou dores. Ninguém vive ou pifa por mim.

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