Do cansaço

Hoje acordei com uma vontade imensa de abdicar e sumir. Abdicar da faculdade, das contas para pagar, da casa própria, dos dois empregos. Abrir mão de cada pessoa que cruzou o caminho até agora e sumir. Partir para um lugar distante e começar do zero.

Sim. Lá eu faria diferente – acho. Não aceitaria metade das propostas de trabalho, não aceitaria vínculos com pessoas mal resolvidas, tal como vinha fazendo até certos tempos. Não me aliaria a causa alguma.

Que cansa… As pessoas despejam seu lixo, suas angústias recicladas em você e vão dar uma voltinha. Sabe?! E você tem que ficar com uma tonelada de coisas nas costas, triturando o seu corpo. Te matando aos poucos.

Que você, que eu, que qualquer ser humano mal consegue resolver os próprios problemas, mal vence a luta interna para permanecer vivo e tem de aguentar a folga alheia. Tem de lidar com uma coisa que não pediu, não aceitou, que não quer.

Você morre aos poucos cada vez que se submete à indecência do outro, cada vez que guarda para si os nós alheios, os problemas, as não resoluções. Você morre aos poucos quando tem de engolir o que não lhe diz respeito.

Eis o primeiro passo para um adeus.

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2 comentários Adicione o seu

  1. Zé Burher disse:

    Amo seus escritos.

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    1. Luana Reis disse:

      Poxa, fico feliz com isso. Muito obrigada!

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