17 de maio e as fichas apostadas

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Arrumando os bloquinhos de anotação eu achei este aqui. O primeiro, de oito que usei durante o estágio no Grupo Bandeirantes. O primeiro, pautado no tutorial 10/10 que o Guilherme Raia, outro boleiro-grude, fez para mim e que, posteriormente, viralizou entre os estagiários (ao menos até janeiro, pelo o que sei, isso ainda vigorava ahahaha).

Quando eu entrei, em novembro de 2016, o sr. Guilhermito me recebeu com a pergunta “Então você é a nova eu?”, haha. E eu toda agoniada, sem graça, respondi “acho que sim”. Tentei ser. Tentei, pois saiu um parça de ouro, então para suprir o desfalque tinha que dar um corre, né? hahaha… E até que foi vingando.

Vingou, até onde deu, na verdade.

Que hoje, dia 17 de maio, tenho uma entrevista importante mais tarde. Uma entrevista com um ídolo alviverde, na verdade, quem nunca pensei que entrevistaria ou mesmo que conheceria pessoalmente. Hoje, dia 17 de maio, a poucos do meu blackjack, estou chorosa. É isso mesmo, brasileirxs.

Que eu volta e meia paro, sento, reflito. Como é que tudo passou a acontecer tão rápido? Como é que eu consegui aquele estágio na Band? Como é que eu trabalhei com tanta gente maravilhosa? Como é que conheci tantas pessoas que teoricamente seriam inacessíveis?!… pqp! É! Não sei. A explicação pra isso é, na minha concepção, pura sorte. Uma PUTA oportunidade!

E não é só o questionamento, a reflexão que este dia 17 de maio de 2018 me reserva, mas também a saudade. Que ao pegar este bloquinho eu lembrei de cada plantão, cada vídeo cortado do Jogo Aberto, o vídeo que o Denilson gravou para o meu pai, o dia em que ele me ajudou com a surpresa que providenciei para o meu velhinho, os meus surtos de alegria ao ver tantos ídolos do futebol e do jornalismo, tal como o próprio Dede, o Boechat, José Silvério, Ana Nery, Ulisses Costa… Tanta, mas tanta gente!

Eu lembro das gafes nas descrições, das checagens diárias das tabelas dos campeonatos. Lembro do dia em que eu pensei que seria demitida e, na verdade, recebi a proposta para ir para a equipe de esportes, a de texto. “Puta-que-pariu”, pensei e, em seguida, meu cérebro bugou. Travou de vez.

Eu queria chorar, berrar, gritar, sair pulando e gritando “Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa! Caralh*! Muito obrigada, meu Deus!”. Eu queria… Mas não dava. Tinha que manter a compostura.

Eu simplesmente disse sim. Eu não teria outra chance feito aquela, sentia, fosse no Grupo Bandeirantes, fosse noutro lugar. Era a tacada da vez, carxs. Era tudo ou nada. E eu apostei as fichas. Uma vez, sim, pela primeira vez na vida eu apostei as fichas em mim mesma.

E foi lá, naquela redação do Portal da Band, que eu fui posta pro jogo louco da vida. Foi lá, porque paralelamente eu enfrentava uma mudança de casa – a saída do lar dos meus pais – durante a graduação – que ainda está em curso, claro. Foi lá que eu comecei a entender a história do Brasil de fato, que cutuquei as entranhas do futebol – masculino e feminino -, que eu meti o pé na lama, no barro (literalmente, ahahahahaha). Foi que lá que eu aprendi o A+B, o B+Z… A minha querida escola de jornalismo e da vida.

Que hoje, se eu ainda estivesse por lá, completaria 18 meses de estágio. 18 meses intensos, certamente, mas, no fim, gratificantes.

E quem ler isto deve balbuciar “Uai, por que saiu, então?”. É simples. Tem dias que eu penso em parar de apostar as fichas nessa loucura de graduação e de ensaio de carreira, porque não é nada fácil. A vida não é fácil, por si só.

Mas veja, não quis dizer que deveria ou que tenha de ser. Pois não, não deve. Mas o problema são os “bônus” somados às dificuldades previstas. É quando você pifa. Todos os setores da sua vida te nocauteiam, sem dó.

Eu fui nocauteada algumas vezes na vida. Algumas porque permiti, outras porque as pessoas foram filhas da puta mesmo. Por exemplo, conversando com alguns professores-amigos esses dias, relatei a quase – ou talvez fosse mesmo – depressão que me acometeu durante o ensino médio, logo após uma situação desagradável que rolou num relacionamento.


*Sim, escrevo palavrão no texto mesmo. O blog é sem censura. Obrigada/de nada. Seguimos.


Obs: Eu não vou abrir a questão aqui, nem em inbox ou algo do tipo, porque não acho necessário e é direito meu não contar. Afinal, a vida é minha e expor o barato aqui não vai mudá-lo, não vai apagá-lo.

Acontece que aquele foi um nocaute-raiz, digamos. Foi um nocaute para ficar agonizando no chão após o baque, mesmo, acredito, por um tempo considerável. Mas eu consegui levantar, graças a escola, aos estudos, aos poucos amigos que já tinha na época e que mal sabiam o quão importantes eram para mim. E minha família, claro… Poxa, meus pais foram fundamentais. Meus pais sempre foram fundamentais para eu conseguir dar algum passo, para manter a sanidade mental. Que eu sei que sou um ser humano complicado. Não é à toa que vivo como vivo – e onde vivo, também.

Mas, voltando ao lance dos nocautes da vida, eu estava quase tomando mais algumas surras, alguns muques na boca do estômago. Sim, no plural. Eu caminhei em direção a alguns, outros me perseguiram mesmo. E tinha a Band, tinha esse estágio que me tomava fins de semana, feriados, madrugadas. Tinha uma equipe 10/10 lá. A equipe do site.

Eu chegava atrasada na maioria dos dias e daí compensava o horário – para mim era o mínimo, não?! – já na época em que era estagiária de vídeos, quando fui para a equipe de textos, então, tentava encarnar o Sonic para chegar logo à estação Cidade Jardim e tomar a perua/micro-ônibus até esquina da Band – que a Band se esconde ali no bairro do Morumbi, minha gente.

Mas eu chegava. Chegava e me desligava do mundo. Era eu, o computer e Deus guiando ao fazer as pesquisas para entregar algo bom. E todo dia fazia uma oração, todo dia um pedido: que o “sonho da efetivação”, conforme nós, estagiários-emocionados, apelidamos a utopia da contratação após os dois anos de labuta previstos na papelada. Todo dia eu pedia aquilo, mais do que uma quantidade de dinheiro suficiente para fechar o mês sem ter clamar por uma help dos pais ou mesmo vender algo para quitar os boletos do mês. Todo dia, sem exceção.

Todo dia eu pedia e, como disse, eu me desligava de tudo quando estava por lá. E de tanto desligar-me dos meus problemas pessoais, de focar na minha escola prática do jornalismo – do esportivo, principalmente ❤ -, eu fui me adequando aos horários flexíveis, a horários que batiam com o horário dos estudos. E quase rolou um nocaute pior, bem pior que aquele sofrido em meio ao ensino médio.

Quase, mas foi de raspão, que a presença insuficiente na faculdade me tomava a matriz daquilo tudo, com uma bela de uma reprovação e, consequentemente, o “tchau, querida”, frente às multas atreladas a um benefício conquistado na universidade (iniciação científica), e a DP por si só – pois a conta da graduação tava fechada, por garantia, há quatro anos. Não daria para lidar com tudo. Já não tava dando para tocar a vida fora da asa dos pais. Não tem sido tranquilo. Não tem, mesmo, aliás.

A história é toda bugada, eu sei. A minha vida é meio bugada, na verdade. Aperta aqui, solta acolá. Aperta e a coisa desliza, cai no chão, se arrebenta e ainda parte para cima pra muquear. É este o brinde da mutreta toda…

E eis que é 17 de maio. Eis que meu coração pulsou mais forte quando achei o meu primeiro bloquinho. O “pioneiro” de oito, como disse. Dos oito, sete foram feitos por uma pessoa que eu sempre vou levar no coração, que virou amigo e que jamais – escrevam aí no bloquinho de vocês – hei poupar elogios. Alguém que sinto uma falta danada todas as manhãs, quando ouço o rádio para saber das atualizações boleiras, para interpretar a teia de infos esportivas: Fábio Shimabokuro.

E eu lembro de outro querido que me pautava todos os dias, um dos poucos mais a par da situação financeira, na vida pessoal e acadêmica, e das mutretas estudantis que eu enfrentava: André Rigue. Das prosas boleiras, as piadas, os memes, as vaquinhas para o lanche da madrugada na redação com Gisèle Oliveira, Aline Kuller, Bruno Florenzano, Marielly Carvalho, Vinicius de Melo, Rodolfo Bartolini… E quem trabalhou pela manhã também: Livia Camillo (irmã!), Rafael Gomes, Gustavo Mesa, Lucas Ventura… Tantos!… Todxs queridxs.

E lembro de quem me abriu a porta para tudo isso e quem foi me trilhando pelo caminho até ajustar a abordagem, o trato da informação (mas não só isso, visto que o trato com o ser humano vem em primeiro lugar): Luisa Romano, Daniel Fernandes e Fabiano Melato. Uma tríplice coroa!

Olho para este bloquinho específico e revivo cada momento, cada aventura que este estágio me proporcionou. E olho para o que tenho hoje, o site Acréscimos, um projeto pessoal que, enfim, vingou. Uma graduação que trepida ao andar numa corda bamba.


E que não falemos do financeiro. Obrigada. De nada. Chegamos aos minutos finais.


Olho, folheio, revivo cada episódio vivido naquela redação que se esconde no térreo do Grupo Bandeirantes. Relembro saudosa, completamente emocionada – e eu sou mesmo, sem drama para assumir – e penso num “até algum dia, talvez, querido”. E abraço a dúvida, a incerteza de que toda esta caminhada, as quedas, essa vida se arrastando para lá e para cá a fim de firmar-me em algum ponto vale a pena.

Apostei as fichas este ano e não ganhei: ao contrário, perdi e paguei com juros.

Aposto agora, novamente, meio que com o peito vazio, sem muita expectativa. Vamos ver se pifo ou bato e dou as cartas na próxima rodada.

Fim do assalto.

*Texto postado no Instagram, a princípio

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